| O Parque |
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AgriculturaAo longo do PNSACV, e dada a diversidade de condições climáticas, edáficas e de infra-estruturas, os tipos de cultura predominantes variam, podendo no entanto estabelecer-se algumas unidades relativamente homogéneas. Com excepção da área ocupada pelo Perímetro de Rega do Mira e das várzeas de Odeceixe e de Aljezur, onde a disponibilidade de água tem permitido a reconversão e intensificação dos sistemas produtivos, grande parte da superfície agrícola incluída no PNSACV tem sido ocupada por sistemas e culturas tradicionais. Nas zonas de sequeiro, o sistema produtivo é do tipo extensivo, conciliando a produção de cereal com a criação de gado através de uma rotação bianual, na maior parte dos casos. Actualmente, o cereal integrado na rotação tem progressivamente deixado de ser o trigo, sendo substituído por outras espécies, nomeadamente a aveia e o centeio, utilizadas como forragem na alimentação do gado. Após a colheita do cereal, os animais aproveitam o restolho para pastoreio directo. No fim do Verão, o terreno é deixado em pousio durante alguns meses, de forma a permitir o estabelecimento de pastagem espontânea, pastoreada depois pelo gado, até ao início do Verão seguinte. Segue-se uma lavoura no Outono, depois gradagem e por fim a sementeira com adubação. Raramente é feita uma adubação de cobertura, pelo que a utilização destes produtos não constitui, por enquanto, um factor muito perturbador das condições ambientais. Da mesma forma, também a pastagem natural não é usualmente adubada, sendo reposta no solo alguma matéria orgânica através do pastoreio directo do gado. Apesar do elevado grau de extensificação, todas as operações são mecanizadas utilizando-se o tractor e alfaias agrícolas na mobilização, adubação do solo, sementeira e colheita, para a cultura do cereal. As produções médias do cereal nestes sistemas são reduzidas, situando-se entre 1 a 2 toneladas por ha. Verifica-se ainda que, actualmente, a produção de gado para carne tem aumentado de importância, uma vez que nestas zonas de sequeiro produção vegetal é cada vez mais destinada à alimentação de animais. Na zona de sub-serra, onde surgem declives mais acentuados, além da rotação tradicional, parte da área agrícola é ocupada com montado de sobro pouco denso e com pastagem natural sob o coberto arbóreo, destinando-se à exploração de cortiça e alimentação de gado. Nas zonas de regadio, a agricultura é bastante mais diversificada. A horticultura de ar livre e em estufa ganha cada vez mais importância. O nivelamento do solo, a sua esterilização e a utilização maciça de fertilizantes de síntese e produtos fitossanitários contribuem acentuadamente para a degradação e destruição das condições naturais, bem como para o aparecimento de efluentes tóxicos nas águas de drenagem. A mecanização deste sistema agrícola é elevada, assim como as produções médias obtidas. No Perímetro de Rega do Mira (PRM) a produção de gado bovino para carne assume igualmente um papel importante, sendo desenvolvida num regime semi-intensivo com recurso a pastagens de regadio melhoradas ou mesmo semeadas, em rotação com milho para silagem ou, por vezes, sorgo para corte e administração directa na manjedoura. Nos efectivos de menor dimensão ou familiares, a alimentação dos animais é conseguida, muitas vezes, com o recurso a alimentos variados, que podem incluir a beterraba ou até couves. Também neste regime pecuário semi-intensivo é elevado o grau de mecanização e de utilização de adubos de síntese. Verifica-se ainda o crescimento, no interior do PRM, da produção bovina para leite, o que se deve em grande parte à instalação de inúmeros produtores estrangeiros. A produção de milho para grão ocupa áreas com alguma importância no interior do PRM. A preparação do solo inclui uma lavoura seguida de gradagem, e a produção é conseguida com o recurso a quantidades importantes de adubos e de água para rega. Relativamente ao arroz, verifica-se uma rápida diminuição da área ocupada com esta cultura – tendendo para o desaparecimento - provocada pela sua baixa produtividade. Também neste caso a produção é obtida à custa de quantidades elevadas de adubos e produtos fitossanitários. Na região entre o Rio Mira e Odeceixe o amendoim e a batata doce são culturas tradicionais, cuja área de cultivo tem vindo a ser reduzida por desinteresse dos próprios agricultores, o que se deve essencialmente a dificuldades de comercialização desses produtos, nomeadamente do amendoim. Na zona sul da PNSACV, os sistemas agrícolas adquirem características próprias da agricultura algarvia, com o aparecimento de áreas ocupadas com figueiras ou alfarrobeiras com pouca densidade e rendimento reduzido, bem como pequenos regadios tradicionais. Somente, na zona do Rogil (entre Odeceixe e Aljezur) a área ocupada com vinha tem alguma importância, obtendo-se vinho destinado essencialmente a autoconsumo. |
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