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Thursday, 20 November 2008
   
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Património
Património
Patrimonio Cultural

Patrimônio Natural


Resultado da sua posição geográfica, diversidade de paisagens e reduzida pressão humana, a Costa Sudoeste portuguesa alberga um património natural riquíssimo, cuja conservação constitui uma das mais importantes justificações para a criação do Parque Natural do Sudoeste Alentejano e Costa Vicentina.

Falésias marítimas, praias, dunas, matos litorais, charnecas e vales fluviais, são alguns dos habitats onde ocorrem plantas e animais, cuja sobrevivência a nível nacional e internacional está dependente deste Parque Natural. Particularmente relevantes são algumas espécies que restringem a sua área de distribuição mundial ao sudoeste português.

A Fauna deste Parque Natural apresenta um conjunto de espécies que lhe conferem grande importância e valor de conservação.

A Costa Sudoeste é o único local conhecido mundialmente onde a cegonha-branca Ciconia ciconia nidifica em falésias marítimas. Aqui ocorre também uma população de lontras Lutra lutra que utilizam o meio marinho como habitat de alimentação, sendo esta a única população portuguesa conhecida que desenvolveu tal adaptação.

Para além das espécies que se reproduzem na região, ainda ocorrem no Parque Natural numerosas espécies migradoras, tendo a sua importância como ponto de estudo das migrações de aves, sido reconhecida desde há décadas por investigadores nacionais e internacionais. De especial significado é a migração outonal de aves planadoras através de Sagres-S.Vicente, que envolve alguns milhares de aves de rapina, incluindo águias-calçadas Hieraaetus pennatus, águias-cobreiras Circaetus gallicus, gaviões Accipiter nisus, falcões-abelheiros Pernis apivorus, grifos Gyps fulvus, abutres do Egipto Neophron percnopterus, entre outras.

Alguns animais do Parque Natural encontram-se em perigo de extinção eminente. Este é por exemplo o caso da águia-pesqueira Pandion haliaetus e dos linces Lynx pardina, para os quais será necessário desenvolver esforços muito urgentes de conservação. Os airos Uria aalge e os lobos Canis lupus são provavelmente os únicos animais que se extinguiram nesta região já no século XX.

Ao contrário da fauna de vertebrados, os invertebrados do Parque Natural são muito mal conhecidos. No entanto, os poucos dados disponíveis indicam a existência de numerosas espécies endémicas: por exemplo, das oito espécies de tisanuros não comensais referidos para o Algarve, dois são endemismos exclusivos de Sagres - Machilis sacra e Ctenolepisma algharbica.

Existem plantas como Biscutella vicentina, Diplotaxis vicentina e Hyacinthoides vicentina, cujos nomes específicos ilustram de forma clara a sua distribuição geográfica restrita a pouco mais que os Cabos de Sagres e S. Vicente. Ainda mais raras são Silene rothmaleri e Plantago almogravensis, que tinham já sido consideradas extintas quando nos anos 90 foram encontradas pequenas populações de ambas as espécies.

Salvar da extinção estas e outras plantas ameaçadas é um dos objectivos de conservação mais importantes do Parque Natural; pretende-se que o provável desaparecimento de Armeria arcuata, uma planta dos brejos e lagoas temporárias do planalto de Odemira, que terá desaparecido com a reconversão agrícola decorrente da instalação do perímetro de rega do Mira, seja a última extinção de uma planta no sudoeste português.

O levantamento e caracterização da biodiversidade do Parque Natural do Sudoeste Alentejano e Costa Vicentina, apesar de já se ter iniciado no princípio do século com o trabalho de grandes naturalistas como Gonçalo Sampaio, encontra-se numa fase de actualização permanente, sendo provável que os próximos anos tragam novidades que permitam sublinhar ainda mais a riqueza desta região notável.



 
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